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Blog da Karina Oliani

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Por que fiquei dias sem banho e tive que tomar viagra para escalar o K2

Karina Oliani

24/09/2019 04h00

Na semana passada, comecei a relatar alguns desafios que enfrentei antes de começar a escalar o K2, a montanha mais perigosa do mundo. Após alguns dias em um lugar tão inóspito como a base do K2, a gente reaprende a valorizar os pequenos confortos do dia a dia e que fazem uma diferença enorme na vida, mas não nos damos mais conta disso.

Na base da montanha não dormimos no plano, pois acampamos em cima de um glaciar e o gelo tem varias irregularidades. Mesmo depois de tentarmos aplainá-lo, ele volta a derreter.

Ficamos dias (para não falar semanas) sem tomar banho, porque água morna ou quente lá é um recurso limitado. Geralmente, temos um balde para um banho e bem de vez em quando. Lavar roupas é um dilema à parte. Muitas vezes você estica a peças para secar e elas congelam!

Se você esquecer pilhas extras está frito! A lanterna de cabeça é a única luz além da lua que temos para nos locomovermos fora da barraca à noite. E com o frio, as pilhas duram muito menos.

Enfim, poderia gastar três páginas contando todas as regalias que perdemos na montanha, mas como médica e alpinista, hoje vou explicar o motivo de eu ter tomado tanto Viagra nessa expedição.

O sildenafil (nome genérico da famosa pílula azul) é uma medicação  primariamente usada para insuficiência pulmonar. E até hoje tem esse uso em algumas situações médicas.

O Viagra é um ótimo vasodilatador pulmonar. Quando colocamos nosso corpo acima de 4.000 metros metros de altitude, começamos a sentir falta de oxigênio, ficamos ofegantes, muitos sentem mal-estar e dor de cabeça e os pulmões começam a sofrer com os efeitos da altitude extrema.

Eu estava tossindo demais. Uma tosse forte e persistente que só piorava. Sabia que se não tomasse uma atitude a chance de eu precisar descer e interromper a expedição seria grande.

Comentei com meu parceiro de escalada, o Máximo, que precisaria do remédio e comecei a usar o medicamento. Também passei a dormir com as costas elevadas. Assim, qualquer fluido nos pulmões me atrapalharia menos para dormir.

E aos poucos fui percebendo uma melhora. Se bem que uma semana depois que saí da montanha ainda estava tossindo. Mas pelo menos o remédio ajudou e consegui terminar a escalada.

Em um momento de muito frio e dificuldade na montanha, o Máximo me fez rir: "Oliani, ainda bem que não sou eu que estou tendo que tomar todos esses Viagras na expedição…" Pois é, se não levarmos os perrengues da montanha com bom humor, eles ficam realmente insuportáveis.

E olha só como foi a minha expedição no trailer exclusivo do meu canal no YouTube:

Na próxima semana, vou contar porque tivemos que escalar a montanha duas vezes e qual foi a sensação de chegar ao cume.

Sobre a Autora

Karina Oliani é médica, especialista em sobrevivência e fã de treinamento, nutrição e esportes de aventura. Já escalou o Everest duas vezes e foi a primeira mulher sul-americana a subir a montanha mais alto do mundo por suas duas faces. Também é bicampeã brasileira de wakeboard e snowboard, além de ter encarado aventuras como atravessar um vulcão em atividade, caçar tornados e a Aurora Boreal. Entende de treinamento físico e de nutrição esportiva.

Sobre o Blog

Aqui, Karina Oliani vai compartilhar todos os segredos de treino e alimentação para as aventuras que você quer viver: escalar, correr, nadar, voar. Além disso, com o passaporte recheado de carimbos, será uma ótima guia de viagens para destinos incríveis.

Karina Oliani