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Uma experiência que visa transformar o mundo em um lugar mais justo

Karina Oliani

11/02/2020 04h00

Enquanto escalava o Kilimanjaro na Tanzânia em 2018, um amigo me contou pela primeira vez sobre o TETO, uma organização que atua em 19 países da América Latina e se dedica a promover o desenvolvimento comunitário em comunidades de extrema vulnerabilidade social. Senti que o Henrique Barbosa, 39 anos, pai, marido, escalador, advogado, kitesurfer e muito mais havia sido fortemente impactado por essa experiência, mesmo sendo essa pessoa proativa e que sempre está em busca de novos desafios.

Senti que tinha algo de especial em sua fala, algo que estava disposta a experienciar também. O Henrique me contou de suas obras anteriores em um mutirão de construção e como isso teve um grande impacto em sua vida e nas pessoas ao seu redor.

O TETO tem como missão o desenvolvimento comunitário, lado a lado com os moradores que vivem em situações precárias de infraestrutura. Com o auxílio de voluntários, eles desenvolvem projetos de infraestrutura comunitária como áreas de lazer, melhoria nas tubulações existentes de esgoto e melhorias de acessibilidade na comunidade, campos de futebol e, principalmente, moradias emergenciais.

Ao decidir participar do meu primeiro TETO pude ter uma noção real da dimensão de transformação que a organização possui. 

"No mutirão de construção, passamos um final de semana com nossa equipe e dezenas de voluntários que se predispõem a conhecer a fundo e vivenciar a realidade das comunidades mais carentes, experimentando as mesmas privações que os moradores do local em que atuamos possuem. Comemos com eles a comida feita por eles, não tomamos banho por conta da escassez de água, temos uma rotina de sono bem limitada por conta de longas horas de trabalho, além de fazer um esforço físico que, como esportista por toda minha vida, confesso que não poderia esperar. Com certeza não dá para voltar indiferente à essa realidade tão próxima de nós e, por vezes, tão escondida. Tive dificuldade de voltar à nossa bolha depois dessa experiência", comentou Henrique.  E esse foi um dos principais motivos que me fez desejar tanto fazer parte disso.

No 2° semestre do ano passado, eu e o Henrique montamos um time com outras pessoas que tinham essa mesma vontade e determinação para participarmos de um mutirão de construção no Jardim Gramacho, o famoso "lixão" no Rio de Janeiro.

Moradoras: Dona Maria mãe e sua filha, também Maria

Lá conheci dona Maria, uma senhora de 90 anos que mora com sua filha, também Maria, de 70 anos. A situação delas era de extrema precariedade. O terreno onde moravam foi um desafio para o nosso trabalho. Por ser uma região de mangue, com muito alagamento em dias de chuva, tivemos que lidar com a lama do local. Além disso, estávamos em uma área ao lado de um esgoto sanitário. A moradia delas enfrentava infestações de marimbondos e muitas infiltrações.

Foi um trabalho desgastante e pesado, tanto física quanto psicologicamente. Chegamos na sexta-feira à tarde, fizemos nosso "check in" como equipe e terminamos nossa construção no domingo à noite. Porém todo esforço só deixou o trabalho ainda mais bonito. Tínhamos o time certo no lugar certo. Uma das coisas que mais me tocou foi ver dona Maria (a filha) também ajudando a gente, preparando nossa comida, auxiliando os voluntários e líderes como podia. A força e a história de vida dessa mulher é muito forte, inspiradora e me fez lembrar que coragem faz realmente jus a origem dessa palavra "agir com o coração".

 

 

 

 

 

 

Participar de construções definitivamente não é algo que está na minha rotina. Nunca tinha participado efetivamente da obra de uma moradia. Mas levo o Manifesto do Instituto Dharma, o qual ajudei a construir, muito a sério e não tenho dúvida que toda e qualquer pessoa é agente transformador do seu entorno, consciente ou não deste fato. Que há que se fazer disponível para o constante aprendizado e busca da verdade existencial individual, para que possamos evoluir coletivamente de forma harmônica, responsável e ética. 

Que viabilizando o acesso a condições dignas de existência às pessoas contribuímos com nossa própria existência, com a dos nossos semelhantes e das gerações por vir. Pois somos todos "UM" com o universo, indissociavelmente unidos pela mesma energia que tudo permeia, seja matéria, pensamento ou ação.

Que promover a independência e a autossustentabilidade de comunidades desfavorecidas é a única forma de garantir a abundância e prosperidade dos seres humanos, gerando recursos materiais e imateriais, essenciais ao seu desenvolvimento e à sua subsistência a longo prazo.

Que o contato com diferentes culturas contribui para uma visão mais plural de mundo, inclusiva com relação às diferenças de classe social, idade, gênero, credo ou etnia.

Somos todos responsáveis pelo mundo que construímos até aqui, quer isso nos agrade ou não.

E logo a busca de soluções concretas para minimizarmos determinado problema gerado por lacunas no poder público não se trata de bondade, se trata de uma equação simples que se resume em "lutar pelo mundo que deseja"!

Se você se sentiu, assim como eu, que essa aventura te chama, aproveito para explicar mais sobre como participar do TETO. Para isso, pedi que a Andressa, gestora da sede da organização, me explicasse as frentes de atuação. Hoje, o TETO conta com voluntários de participação pontual ou permanente. Para participação pontual, basta inscrever-se em uma das atividades que são divulgadas por eles no site, Facebook e Instagram. Porém, se tiver interesse em participar de forma permanente, fique atento aos processos de seleção do TETO, que ocorrem duas vezes por ano, inclusive o próximo será no final de março.

Agradeço imensamente a cada membro do meu time: Henrique Barbosa – Advogado; Marcelo Schiaffino – Engenheiro; Paulo Vitor Santos – advogado; Quedayr Tominaga – Médica; Luiz Villanova – Médico; Maximo Kausch – Guia de montanha; Camila Martinez- médica; Manoel Montello – Biólogo; Isabella Ilha e Gabriel Leme – Líderes TETO; Andressa Good – gestora da sede do TETO no Rio de Janeiro, por terem topado o convite e por continuar me dando esperança em relação a humanidade, incluindo a Isabella Ilha (Isa) e o Gabriel Leme (Gabs) que não apenas nos ensinaram e lideraram, mas que colocaram a mão na massa com a gente todo final de semana. E, principalmente, quero registrar minha admiração ao Henrique, que com um milhão de funções que exerce com excelência, ainda dispôs boa parte do seu tempo ajudando os novatos com cada detalhe pra esse TETO.

 

 

Por fim, desejo que a gentileza e o bem comum estejam sempre à frente de cada intenção, de cada ação que a gente venha a ter para que esse mundo venha a se tornar um lugar mais humano e mais justo para todos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Karina Oliani é médica, especialista em sobrevivência e fã de treinamento, nutrição e esportes de aventura. Já escalou o Everest duas vezes e foi a primeira mulher sul-americana a subir a montanha mais alto do mundo por suas duas faces. Também é bicampeã brasileira de wakeboard e snowboard, além de ter encarado aventuras como atravessar um vulcão em atividade, caçar tornados e a Aurora Boreal. Entende de treinamento físico e de nutrição esportiva.

Sobre o Blog

Aqui, Karina Oliani vai compartilhar todos os segredos de treino e alimentação para as aventuras que você quer viver: escalar, correr, nadar, voar. Além disso, com o passaporte recheado de carimbos, será uma ótima guia de viagens para destinos incríveis.

Karina Oliani